segunda-feira, setembro 28, 2009

As flores elétricas de Robert Buelteman

As flores elétricas de Robert Buelteman

Depois de dedicar 20 anos de sua carreira à fotografia de paisagens, o americano Robert Buelteman descobriu uma nova maneira de registrar a natureza: utilizar eletricidade para iluminar folhas e flores, em uma técnica que dispensa o uso da câmera e de lentes.
Para obter as 80 imagens que compõem a série Through the Green Fuse ("através do fusível verde"), o fotógrafo utiliza instrumentos cirúrgicos para posicionar as plantas sobre uma mesa transparente, e em seguida posiciona uma matriz metálica, na qual estão o filme e uma emulsão fotográfica. O conjunto é, então, ligado a uma fonte elétrica.Em um quarto escuro, ele então aciona a eletricidade de altíssima voltagem, que pode vir de fontes como o tungstênio, o xenônio ou fibras ópticas.
Esta técnica tem mais semelhanças com a tradicional pintura japonesa a nanquim do que com as atuais formas de fotografia. Cada entrada de luz, assim como cada pincelada na pintura, não foi ensaiada. E uma vez, liberada, não pode ser desfeita.Buelteman contou que a ideia para esta série surgiu em 1999, depois que ele perdeu quatro familiares vítimas de câncer.
O fotógrafo afirma que sempre teve vontade de encontrar a sua voz para expressar a beleza, o equilíbrio e a harmonia do que vê na natureza. Com a perda de seus parentes, Buelteman se sentiu mais determinado ainda a expressar a beleza e a fragilidade da vida.A técnica utilizada pelo americano se inspira no método que ficou conhecido como fotografia Kirlian, ou Kirliangrafia, desenvolvido pelo cientista russo Semyon Kirlian. A técnica também é chamada de bioeletrografia.
Segundo Buelteman, com a adição de aparelhos de fibra óptica para conseguir um maior controle sobre a exposição de luz sobre a matriz, este trabalho representa também uma nova interpretação de uma forma de arte honrada há tempos.As imagens do fotógrafo estão reunidas no livro Signs of Life ("Sinais da Vida"), lançado nos Estados Unidos.


Fonte: BBC / Colaboração: Wanderley Koyanagui

Um comentário:

Morgenstern disse...

Muito bom,acha mais,e só para lembrar,como a terra é um ser vivo,então as plantas tem alma.Um abraço...